Cada água fina tem um número. O TDS diz como ela se comporta no paladar, como interage com o que está no prato e ao lado, e onde ela cabe numa carta. Reunir esses números em ordem crescente substitui o marketing por comparação — e deixa claro que uma água de TDS alto não é pior que uma de TDS baixo. São perfis diferentes, para funções diferentes.

Como ler o comparativo

Os valores abaixo são públicos — constam de rótulo, site oficial ou laudo — mas variam entre safras, e devem ser tomados como referência, não como verdade fixa. As faixas da Fine Water Society servem de guia.

Comparativo por TDS crescente

Super Low (abaixo de 50 mg/L). AWA, do Brasil, com TDS 6 mg/L. Voss, da Noruega, entre 22 e 44 mg/L.

Low (50 a 250 mg/L). Acqua Panna, da Itália, em torno de 140 mg/L. Fiji, próxima de 210 mg/L.

Medium (250 a 800 mg/L). Evian, da França, ao redor de 310 mg/L. Perrier, também francesa, na faixa de 470 mg/L.

High (800 a 1.500 mg/L). San Pellegrino, da Itália, próxima de 960 mg/L.

Very High (acima de 1.500 mg/L). Gerolsteiner, da Alemanha, e águas de fonte termal europeia, que ultrapassam com folga essa marca.

O que cada perfil entrega à mesa

As águas Super Low têm paladar próximo do neutro e não competem com nada — servem aos pratos delicados. As de faixa Low e Medium têm presença mineral perceptível e sustentam pratos de mais corpo. As de faixa High e Very High são águas de caráter próprio, que pedem pratos robustos ou um momento específico, como o serviço de queijos ao fim da refeição.

O lugar da AWA no comparativo

A AWA ocupa o piso da faixa Super Low — com 6 mg/L, está entre as águas de mineralização mais baixa já medidas. O número sozinho, porém, não conta a história: o que distingue a AWA é a origem, captada da umidade da Floresta Amazônica — uma procedência que nenhuma outra água deste comparativo divide. Em uma carta, o TDS situa a água no degrau técnico; é a narrativa de origem que decide qual entra em cada contexto.

Como usar o comparativo

Para o sommelier, é ferramenta de construção de carta. Para o comprador-curador, é apoio à escolha no próprio jantar. Para o jornalista, é o mapa que situa qualquer água — inclusive a brasileira — dentro da conversa internacional.